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Princípio Ativo

ACETILLEUCINA

Conheça os medicamentos importados pela Relifarm com este princípio ativo. Importação sob demanda mediante prescrição médica, conforme a RDC 81/2008 da ANVISA.

2 produtos disponíveis
Sobre

ACETILLEUCINA

A acetileucina, um derivado acetilado do aminoácido essencial leucina, tem sido objeto de crescente interesse científico e clínico nas últimas décadas. Originalmente aprovada na França em 1957 para o tratamento de vertigem aguda sob o nome comercial Tanganil®, sua aplicação expandiu-se para o campo das doenças neurodegenerativas raras. Este documento sintetiza as descobertas de estudos científicos recentes sobre sua estrutura, mecanismo de ação, farmacocinética e eficácia clínica, com base em publicações de fontes confiáveis.


Estrutura Química e Farmacocinética


A acetileucina é quimicamente designada como N-acetil-leucina. A adição de um simples grupo acetil ao aminoácido leucina altera drasticamente suas propriedades físico-químicas e, consequentemente, seu comportamento farmacológico. Enquanto a leucina é um zwitteríon em pH fisiológico, a acetileucina comporta-se predominantemente como um ânion

.

Essa modificação estrutural impede que a acetileucina utilize o transportador de aminoácidos tipo L (LAT1), que é a via de captação celular da leucina. Em vez disso, a acetilação permite que a molécula seja reconhecida e transportada por outros sistemas, notavelmente os transportadores de ânions orgânicos (OAT1 e OAT3) e, de forma crucial, o transportador de monocarboxilato tipo 1 (MCT1)

. O MCT1 é expresso de forma ubíqua no corpo, incluindo a barreira hematoencefálica, o que garante uma ampla distribuição do fármaco, inclusive no sistema nervoso central.

O composto é frequentemente administrado como uma mistura racêmica (N-acetil-DL-leucina), contendo os enantiômeros L e D. Estudos demonstraram que o enantiômero N-acetil-L-leucina (NALL) é a forma biologicamente ativa, sendo rapidamente metabolizado, enquanto o enantiômero D é largamente inerte

.

Mecanismo de Ação Multifacetado


O mecanismo de ação da acetileucina, embora ainda não completamente elucidado, parece envolver múltiplos processos celulares que contribuem para seus efeitos terapêuticos.

Pequenas alterações em moléculas podem ter efeitos profundos em sua atividade farmacológica, como exemplificado pela adição do grupo acetil de dois carbonos para tornar os medicamentos mais eficazes, melhorando suas propriedades farmacocinéticas ou farmacodinâmicas.

As principais vias de ação identificadas incluem:

•Normalização do Potencial de Membrana Neuronal: Em modelos pré-clínicos, a acetileucina demonstrou restaurar o potencial de membrana de neurônios despolarizados, o que pode estabilizar a excitabilidade neuronal e melhorar a sinalização celular, especialmente em circuitos vestíbulo-cerebelares

.

•Melhora do Metabolismo Energético: Estudos em modelos da Doença de Niemann-Pick tipo C (NPC) indicam que a acetileucina pode corrigir disfunções metabólicas. O tratamento demonstrou aumentar os níveis da enzima piruvato desidrogenase (PDH), favorecendo o metabolismo aeróbico (produção de acetil-CoA) em detrimento da via anaeróbica (produção de lactato), resultando em uma produção mais eficiente de ATP

.

•Função Lisossomal: A acetileucina demonstrou melhorar a função lisossomal, auxiliando na redução do acúmulo de substratos como colesterol não esterificado e esfingolipídios, que é uma característica patológica central em doenças de depósito lisossomal como a NPC

.

Propriedade

Leucina

Acetileucina

Carga em pH 7.4

Zwitteríon

Ânion

Transportador Principal

LAT1

MCT1, OAT1, OAT3

Atravessa BHE?

Sim (via LAT1)

Sim (via MCT1)

Forma Ativa

L-Leucina

N-acetil-L-leucina


Eficácia Clínica Comprovada


A eficácia da acetileucina foi avaliada em diversas condições neurológicas, com resultados promissores que levaram à sua investigação para além da vertigem.


Ataxia Cerebelar

Um estudo de caso com 13 pacientes com ataxia cerebelar degenerativa demonstrou uma melhora clínica significativa após uma semana de tratamento com 5 g/dia de acetil-DL-leucina. A pontuação na Escala para Avaliação e Classificação da Ataxia (SARA) diminuiu de uma média de 16.1 para 12.8. Melhorias foram observadas na marcha, fala, coordenação e qualidade de vida, sem relatos de efeitos adversos

.

Doença de Niemann-Pick Tipo C

Um ensaio clínico de Fase III, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, envolvendo 60 pacientes com NPC, confirmou a eficácia da N-acetil-L-leucina. Após 12 semanas, o grupo tratado com NALL apresentou uma redução média de 1.97 pontos na escala SARA, em comparação com uma redução de 0.60 no grupo placebo, uma diferença estatisticamente significativa (p<0.001). O perfil de segurança foi semelhante ao do placebo, sem eventos adversos graves relacionados ao tratamento

. Estes resultados foram fundamentais para a aprovação do medicamento para esta indicação.


Conclusão

A acetileucina representa um caso fascinante de reposicionamento de fármaco, evoluindo de um tratamento para vertigem para uma terapia promissora para doenças neurodegenerativas complexas. Sua modificação química simples, a acetilação, altera fundamentalmente sua interação com os transportadores celulares, permitindo uma ampla distribuição e um mecanismo de ação multifacetado que inclui a modulação do metabolismo energético, função lisossomal e estabilização neuronal. A evidência clínica robusta, especialmente em ataxias e na Doença de Niemann-Pick tipo C, valida seu potencial terapêutico e abre caminho para futuras investigações em outras desordens neurológicas.

Referências

[1] Churchill, G. C., Strupp, M., Factor, C., Bremova-Ertl, T., Factor, M., Patterson, M. C., ... & Galione, A. (2021). Acetylation turns leucine into a drug by membrane transporter switching. Scientific Reports, 11(1), 15812.

[2] Strupp, M., Teufel, J., Habs, M., Feuerecker, R., Muth, C., van de Warrenburg, B. P., ... & Feil, K. (2013). Effects of acetyl-dl-leucine in patients with cerebellar ataxia: a case series. Journal of Neurology, 260(10), 2556-2561.

[3] Kaya, E., Smith, D. A., Smith, C., Morris, L., Bremova-Ertl, T., Cortina-Borja, M., ... & Platt, F. M. (2021). Acetyl-leucine slows disease progression in lysosomal storage disorders. Brain Communications, 3(1), fcaa148.

[4] Bremova-Ertl, T., Ramaswami, U., Brands, M., Foltan, T., Gautschi, M., Gissen, P., ... & Martakis, K. (2024). Trial of N-Acetyl-l-Leucine in Niemann–Pick Disease Type C. New England Journal of Medicine, 390(5), 421-431.



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Cuidados com Medicamentos: A automedicação representa um sério risco à saúde. Qualquer medicamento, incluindo a acetileucina, só deve ser utilizado sob prescrição e estrito acompanhamento de um profissional de saúde qualificado, como um médico ou farmacêutico. Nunca inicie, interrompa ou altere um tratamento com base nas informações aqui lidas. A posologia, as indicações e as contraindicações de um medicamento são específicas para cada paciente e condição clínica. Em caso de qualquer dúvida ou ocorrência de reação adversa, procure imediatamente orientação médica. Mantenha todos os medicamentos fora do alcance de crianças e em condições adequadas de armazenamento.

Requisitos para

Importação

Para iniciarmos o processo de importação de medicamentos,
é fundamental que você apresente a documentação completa conforme especificado abaixo:

  • Documentos de identificação do paciente (RG e CPF válidos)
  • Receita médica detalhada com nome completo do paciente
    e especificação do medicamento
  • Comprovante de endereço residencial atualizado (últimos 3 meses)
  • Relatório médico explicando a necessidade do tratamento
    e justificativa para importação
  • Documentação adicional pode ser solicitada de acordo com as normas
    da ANVISA (RDC 81/2008) e legislação vigente.
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