DONANEMAB-AZBT
O que é o Donanemabe-azbt?
O donanemabe-azbt (código de desenvolvimento: LY3002813) é um anticorpo monoclonal humanizado da subclasse IgG1, desenvolvido pela Eli Lilly and Company, com ação direcionada à proteína beta-amiloide modificada presente nas placas senis do cérebro. É o princípio ativo do medicamento Kisunla® e pertence à classe das imunoterapias anti-amiloide para o tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial sintomático (Kang C., Drugs, 2024; PMID: 39237715).
Alvo molecular e mecanismo de ação
O donanemabe liga-se seletivamente à forma N3pG Aβ — beta-amiloide piroglutamilada na posição 3 do resíduo N-terminal — uma isoforma modificada que se acumula predominantemente nas placas amiloides consolidadas (insolúveis) do parênquima cerebral. Essa especificidade molecular distingue o donanemabe de outros anticorpos anti-amiloide: enquanto o lecanemabe tem alta afinidade por protofibrillas solúveis, o donanemabe atua preferencialmente nas fibrillas maduras já depositadas (Ono K. et al., Internal Medicine, 2024; PMID: 39370248).
Após a ligação ao alvo, o complexo anticorpo-amiloide é reconhecido por células microgliais, que promovem a eliminação das placas por meio de um processo denominado fagocitose mediada por anticorpo (ADCP — antibody-dependent cellular phagocytosis). Estudos de neuroimagem por PET demonstraram que esse mecanismo resulta em reduções significativas e mensuráveis da carga amiloide cerebral ao longo do tratamento (Gueorguieva I. et al., Clin Pharmacol Ther, 2023; PMID: 36805552).
Farmacocinética
O donanemabe é administrado exclusivamente por infusão intravenosa. Estudos de farmacocinética populacional mostraram que a molécula apresenta uma meia-vida de eliminação terminal de aproximadamente 11,8 dias. A exposição ao fármaco é influenciada pelo peso corporal e pela presença de anticorpos antifármaco (ADA), embora esses fatores não impactem a resposta farmacodinâmica. Manter concentrações séricas acima de 4,43 μg/mL está associado à redução efetiva das placas amiloides. A maioria dos participantes nos estudos clínicos atingiu o clearance amiloide (< 24,1 Centiloids) em até 52 semanas de tratamento (Gueorguieva I. et al., Clin Pharmacol Ther, 2023; PMID: 36805552; Song T. et al., Expert Opin Drug Metab Toxicol, 2024; PMID: 38758223).
Histórico de desenvolvimento e aprovação regulatória
O desenvolvimento clínico do donanemabe seguiu um programa robusto denominado TRAILBLAZER-ALZ, que incluiu estudos de fase 1b, fase 2 e fase 3. O estudo de fase 3 TRAILBLAZER-ALZ 2, com duração de 76 semanas, demonstrou que o donanemabe retardou significativamente a progressão clínica da doença de Alzheimer em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve, em comparação ao placebo (Sims JR. et al., JAMA, 2023; citado em Kang C., Drugs, 2024; PMID: 39237715).
Com base nesses dados, o donanemabe-azbt recebeu aprovação do FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos em julho de 2024 para o tratamento de adultos com doença de Alzheimer inicial sintomática (comprometimento cognitivo leve ou demência leve com confirmação de patologia amiloide ativa). É o terceiro anticorpo monoclonal anti-amiloide aprovado para essa indicação nos EUA, após o aducanumabe e o lecanemabe (Dodel R. & Frölich L., Expert Rev Neurother, 2025; PMID: 40790925).
Indicação clínica
O donanemabe-azbt é indicado para adultos com doença de Alzheimer em estágio inicial sintomático, especificamente:
Em ambos os casos, é necessária a confirmação de patologia amiloide ativa por meio de PET amiloide ou biomarcadores do líquido cefalorraquidiano antes do início do tratamento. O uso em fases mais avançadas da doença não foi estudado nos ensaios clínicos principais.
Perfil de segurança
O principal risco associado ao donanemabe são as ARIA (Amyloid-Related Imaging Abnormalities) — anormalidades de neuroimagem relacionadas ao amiloide — que incluem:
Portadores do alelo APOE ε4, especialmente homozigotos, apresentam risco aproximadamente 4 vezes maior de desenvolver ARIA-E em comparação a não portadores. O monitoramento por ressonância magnética é obrigatório antes e durante o tratamento (Zimmer JA. et al., JAMA Neurol, 2025; PMID: 40063015; Gueorguieva I. et al., Clin Pharmacol Ther, 2023; PMID: 36805552).
Dados de identificação do princípio ativo
Denominação Comum Internacional (DCI): Donanemabe Nome aprovado pelo FDA: Donanemabe-azbt Código de desenvolvimento: LY3002813 Classe farmacológica: Anticorpo monoclonal humanizado IgG1 / Anti-amiloide Via de administração: Intravenosa (infusão) Meia-vida terminal: ~11,8 dias Fabricante: Eli Lilly and Company Situação regulatória no Brasil: Não registrado pela ANVISA — disponível mediante importação individual autorizada (RDC 81/2008)
Fontes científicas
1. Kang C. Donanemab: First Approval. Drugs. 2024 Oct;84(10):1313-1318. PMID: 39237715. 2. Gueorguieva I. et al. Donanemab Population Pharmacokinetics, Amyloid Plaque Reduction, and Safety in Participants with Alzheimer's Disease. Clin Pharmacol Ther. 2023 Jun;113(6):1258-1267. PMID: 36805552. 3. Song T. et al. Pharmacokinetic evaluation of donanemab for the treatment of Alzheimer's. Expert Opin Drug Metab Toxicol. 2024 Jun;20(6):411-417. PMID: 38758223. 4. Ono K. et al. The Basis of Anti-Aβ Antibody Therapy. Intern Med. 2026;65(1):41-45. PMID: 39370248. 5. Zimmer JA. et al. Amyloid-Related Imaging Abnormalities With Donanemab. JAMA Neurol. 2025;82(5):461-469. PMID: 40063015. 6. Dodel R. & Frölich L. Donanemab for Alzheimer's disease: from preclinical research to the clinical application. Expert Rev Neurother. 2025;25(10):1151-1163. PMID: 40790925.
Aviso: As informações contidas nesta página têm caráter exclusivamente técnico-científico e informativo. Não constituem aconselhamento médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica, e não substituem a avaliação clínica individualizada por profissional de saúde habilitado. O donanemabe-azbt é um medicamento de uso restrito, sujeito a prescrição médica e acompanhamento especializado. O produto não possui registro vigente na ANVISA e, quando indicado por médico responsável, pode ser importado individualmente nos termos da RDC nº 81/2008. Em caso de dúvidas, consulte sempre um neurologista ou especialista em doenças neurodegenerativas.