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Princípio Ativo

ESTIRIPENTOL

Conheça os medicamentos importados pela Relifarm com este princípio ativo. Importação sob demanda mediante prescrição médica, conforme a RDC 81/2008 da ANVISA.

2 produtos disponíveis
Sobre

ESTIRIPENTOL

O estiripentol é um antiepiléptico de estrutura química distinta dos demais fármacos desta classe, classificado como um álcool alílico aromático. Foi desenvolvido inicialmente na França e aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em 2007 sob o nome comercial Diacomit, para uso em combinação com outros antiepilépticos no tratamento da síndrome de Dravet. Nos Estados Unidos, a aprovação pela FDA ocorreu em 2018. O fármaco está disponível em cápsulas de 250 mg e 500 mg, além de sachês para suspensão oral.

Contexto clínico: Síndrome de Dravet

A síndrome de Dravet (também denominada epilepsia mioclônica grave da infância) é uma encefalopatia epiléptica de início na infância, geralmente entre o primeiro e o segundo ano de vida, associada em grande parte a variantes patogênicas no gene SCN1A, que codifica o canal de sódio dependente de voltagem Nav1.1. Caracteriza-se por crises convulsivas prolongadas, frequentemente desencadeadas por febre ou hipertermia, e por resistência a múltiplos fármacos antiepilépticos convencionais. A síndrome apresenta impacto significativo no desenvolvimento neuropsicomotor e na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores.

Mecanismo de ação

O estiripentol atua por mecanismos múltiplos e parcialmente distintos dos antiepilépticos convencionais. O principal mecanismo identificado é a potencialização da neurotransmissão GABAérgica por ação alostérica direta nos receptores GABA-A, de forma independente dos sítios de ligação das benzodiazepinas. O fármaco prolonga a abertura dos canais de cloreto mediados pelo GABA-A, aumentando o efeito inibitório da neurotransmissão. Adicionalmente, o estiripentol inibe a lactato desidrogenase cerebral, interferindo com o metabolismo energético neuronal em condições de hiperexcitabilidade. Por fim, o composto é um inibidor do sistema enzimático CYP450 — particularmente das isoformas CYP1A2, CYP2C19 e CYP3A4 —, o que reduz o metabolismo de fármacos co-administrados como o clobazam, elevando as concentrações plasmáticas dos metabólitos ativos e contribuindo indiretamente para o efeito anticonvulsivante do esquema terapêutico.

Características farmacocinéticas

O estiripentol é absorvido por via oral, com concentração plasmática máxima (Tmax) atingida entre 0,5 e 2 horas após a administração. A biodisponibilidade absoluta não está completamente estabelecida em estudos formais de comparação com formulação intravenosa, mas dados indicam que a absorção pode ser influenciada pela coadministração com alimentos — recomenda-se a ingestão junto às refeições para reduzir a variabilidade. O fármaco apresenta alta ligação a proteínas plasmáticas (aproximadamente 99%). O metabolismo é extenso, ocorrendo primariamente no fígado por conjugação e oxidação via CYP1A2, CYP2C19 e CYP3A4. A meia-vida de eliminação é variável, situando-se entre 4,5 e 13 horas em adultos, com possibilidade de autoinibição enzimática que prolonga a meia-vida com uso contínuo. A eliminação é predominantemente renal, sob a forma de metabólitos.

Indicações registradas

O estiripentol está indicado, em associação com clobazam e valproato de sódio, para o tratamento de crises convulsivas associadas à síndrome de Dravet em pacientes a partir de dois anos de idade — indicação aprovada pela EMA (2007) e pela FDA (2018). O uso como monoterapia não está aprovado nas indicações registradas.

Posologia habitual

A dose recomendada em crianças é de 50 mg/kg/dia, dividida em duas a três tomadas diárias, administrada junto às refeições para minimizar efeitos gastrointestinais. A dose máxima habitualmente não ultrapassa 3.000 mg/dia em crianças. Em adultos, os dados de dosagem são mais limitados, sendo a titulação realizada de forma individualizada. As cápsulas não devem ser abertas; os sachês podem ser dissolvidos em água, suco de fruta ou leite morno. A bula oficial do produto e as orientações do prescritor devem ser consultadas para detalhes de titulação e ajuste de dose.

Populações com necessidade de atenção especial

Em pacientes com insuficiência hepática ou renal, recomenda-se cautela e monitoramento clínico, pois os dados farmacológicos nessas populações são limitados. O estiripentol atravessa a barreira placentária, sendo classificado como de risco fetal incerto; o uso durante a gravidez deve ser avaliado criteriosamente quanto ao balanço risco-benefício. A excreção no leite materno não está descartada; a amamentação durante o tratamento deve ser discutida com o médico responsável. Em idosos, o ajuste posológico pode ser necessário em razão de alterações no metabolismo hepático e na eliminação renal.

Efeitos adversos relatados

Os efeitos adversos relatados com maior frequência nos estudos clínicos incluem anorexia e perda de apetite, sonolência, ataxia, hipotonia, náuseas e vômitos. Esses efeitos são geralmente dose-dependentes e tendem a ocorrer com maior intensidade no início do tratamento ou durante aumentos de dose. Neutropenia transitória foi observada em alguns pacientes, recomendando-se monitoramento hematológico periódico. Alterações de comportamento, como irritabilidade e agitação, também foram relatadas. A interação com clobazam pode potencializar a sedação e outros efeitos do sistema nervoso central.

Contraindicações e interações relevantes

O estiripentol é contraindicado em pacientes com histórico de psicose ou estados maníacos. Hipersensibilidade ao fármaco ou a qualquer excipiente da formulação constitui contraindicação absoluta. Devido à inibição do CYP450, o estiripentol pode elevar significativamente as concentrações plasmáticas de clobazam, valproato, carbamazepina e outros fármacos metabolizados por essas vias, exigindo monitoramento e possível ajuste de dose dos co-administrados. O uso concomitante com ergotamina e derivados ergotamínicos, cisaprida e outros substratos sensíveis do CYP3A4 com janela terapêutica estreita deve ser evitado ou monitorado com atenção. O consumo de álcool é desaconselhado durante o tratamento.


Referências

1. Chiron C, Marchand MC, Tran A, et al. Stiripentol in severe myoclonic epilepsy in infancy: a randomised placebo-controlled syndrome-dedicated trial. Lancet. 2000;356(9242):1638–1642.

2. Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Diacomit (stiripentol): European Public Assessment Report (EPAR). Disponível em: https://www.ema.europa.eu. Acesso em: 2025.

3. U.S. Food and Drug Administration (FDA). Diacomit (stiripentol) Prescribing Information. 2018. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov.

4. Brigo F, Igwe SC, Bragazzi NL. Antiepileptic drugs for the treatment of infants with severe myoclonic epilepsy. Cochrane Database Syst Rev. 2017;5:CD010483.

5. Lagae L, Brambilla I, Mingorance A, et al. Quality of life and comorbidities associated with Dravet syndrome severity: a multinational cohort survey. Dev Med Child Neurol. 2018;60(1):63–72.


Aviso

As informações apresentadas nesta página têm caráter exclusivamente informativo e educacional, baseando-se em fontes científicas e regulatórias de referência. Não substituem a consulta médica, o diagnóstico clínico ou a prescrição profissional. O uso do estiripentol requer acompanhamento médico especializado e prescrição válida. Para informações sobre disponibilidade e processo de importação, entre em contato com a equipe da Centermedh.

Requisitos para

Importação

Para iniciarmos o processo de importação de medicamentos,
é fundamental que você apresente a documentação completa conforme especificado abaixo:

  • Documentos de identificação do paciente (RG e CPF válidos)
  • Receita médica detalhada com nome completo do paciente
    e especificação do medicamento
  • Comprovante de endereço residencial atualizado (últimos 3 meses)
  • Relatório médico explicando a necessidade do tratamento
    e justificativa para importação
  • Documentação adicional pode ser solicitada de acordo com as normas
    da ANVISA (RDC 81/2008) e legislação vigente.
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