Pemigatinibe
Pemigatinibe
Esta página reúne informações gerais, neutras e educativas sobre um princípio ativo utilizado na área de oncologia. O conteúdo foi organizado a partir de documentos regulatórios internacionais e responde às dúvidas mais frequentes sobre o princípio ativo, suas indicações, cuidados e características. As informações não substituem a bula oficial nem a orientação de um médico ou farmacêutico.
O que é o pemigatinibe?
O pemigatinibe (em inglês, pemigatinib) é um princípio ativo da classe dos inibidores de quinase, utilizado como terapia-alvo em determinados tipos de câncer. Ele atua sobre os receptores do fator de crescimento de fibroblastos, conhecidos pela sigla FGFR.
A substância é comercializada sob o nome Pemazyre®, desenvolvido pela Incyte Corporation. A aprovação regulatória ocorreu nos Estados Unidos em 2020. Na União Europeia, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) concedeu autorização de comercialização condicional, modalidade utilizada quando um medicamento atende a uma necessidade médica não atendida e os dados disponíveis, embora menos completos do que o habitual, indicam que os benefícios superam os riscos.
Por ser uma terapia-alvo, a utilização do pemigatinibe está vinculada à presença de alterações genéticas específicas no tumor, que precisam ser confirmadas por exame laboratorial antes de qualquer decisão sobre o tratamento.
Mecanismo de ação e classe farmacológica
De acordo com a bula aprovada pela FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos), o pemigatinibe é uma pequena molécula inibidora de quinases que atua sobre os receptores FGFR1, FGFR2 e FGFR3. Em concentrações mais elevadas, também apresenta atividade sobre o FGFR4.
O que são os receptores FGFR?
Os receptores FGFR são proteínas localizadas na superfície das células que participam de vias de sinalização relacionadas ao crescimento, à sobrevivência, à diferenciação e à multiplicação celular. Em condições normais, essas vias são ativadas de forma controlada.
Em alguns tumores, alterações genéticas como fusões, rearranjos, amplificações ou mutações nos genes FGFR levam a uma ativação contínua dessas vias, o que pode contribuir para o crescimento das células tumorais. A bula descreve que o pemigatinibe inibe a fosforilação e a sinalização dos FGFR, reduzindo a viabilidade de células com essas alterações em estudos laboratoriais.
Relação com o metabolismo do fosfato
Os receptores FGFR também participam da regulação do fosfato no organismo, especialmente por meio da ação nos rins. Por esse motivo, a inibição desses receptores pode aumentar os níveis de fosfato no sangue, efeito descrito como frequente nas fontes regulatórias.
Para que serve o pemigatinibe?
As indicações do pemigatinibe variam conforme o país e a agência reguladora. As informações abaixo resumem o que consta nos documentos regulatórios consultados.
Colangiocarcinoma com alteração do FGFR2
O colangiocarcinoma é um tipo de câncer que se origina nas vias biliares. Uma parcela desses tumores apresenta fusões ou rearranjos do gene FGFR2. Nos Estados Unidos, o pemigatinibe é indicado para adultos com colangiocarcinoma localmente avançado ou metastático, não ressecável, previamente tratado, com fusão ou outro rearranjo do FGFR2 detectado por teste aprovado. Essa indicação foi concedida por aprovação acelerada, com base na taxa de resposta global e na duração da resposta, e sua continuidade pode depender da confirmação do benefício clínico em estudos confirmatórios.
Na União Europeia, a indicação autorizada refere-se a adultos com colangiocarcinoma localmente avançado ou metastático com fusão ou rearranjo do FGFR2 cuja doença progrediu após pelo menos uma linha prévia de terapia sistêmica.
Neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo do FGFR1
Nos Estados Unidos, o pemigatinibe também é indicado para adultos com neoplasias mieloides ou linfoides recidivadas ou refratárias que apresentam rearranjo do gene FGFR1, um grupo raro de doenças hematológicas.
A presença dessas indicações nas fontes regulatórias não significa que a substância seja adequada para todas as pessoas com esses diagnósticos. A decisão depende de avaliação médica especializada, de exames moleculares e do histórico de tratamento, e a resposta pode variar entre as pessoas.
Apresentações e formas farmacêuticas
Segundo a bula norte-americana, o pemigatinibe é apresentado na forma de comprimidos para uso oral, nas concentrações de 4,5 mg, 9 mg e 13,5 mg. Os comprimidos são fornecidos em frascos com 14 unidades e tampa resistente à abertura por crianças.
- 4,5 mg: comprimido redondo e branco, com gravações “I” e “4.5”;
- 9 mg: comprimido oval e branco, com gravações “I” e “9”;
- 13,5 mg: comprimido redondo e branco, com gravações “I” e “13.5”.
As concentrações menores são utilizadas, por exemplo, nas reduções de dose previstas na bula. A disponibilidade das apresentações pode variar conforme o país.
Como o pemigatinibe é utilizado?
O pemigatinibe é administrado por via oral. A bula norte-americana informa que os comprimidos devem ser engolidos inteiros, sem serem esmagados, mastigados, partidos ou dissolvidos, e que podem ser tomados com ou sem alimentos, aproximadamente no mesmo horário todos os dias.
Esquemas descritos na bula
- No colangiocarcinoma, a bula descreve administração uma vez ao dia durante 14 dias consecutivos, seguidos de 7 dias sem o medicamento, em ciclos de 21 dias.
- Nas neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo do FGFR1, a bula descreve administração uma vez ao dia de forma contínua.
A bula também prevê reduções de dose em caso de reações adversas, uso concomitante com determinados medicamentos e algumas condições renais e hepáticas. A dose, a frequência e a duração do uso são definidas exclusivamente pelo médico responsável, e essas informações gerais não substituem a bula.
Acompanhamento durante o uso
A bula descreve monitoramento periódico dos níveis de fosfato no sangue e exames oftalmológicos, incluindo a tomografia de coerência óptica (OCT), antes do início e ao longo do tratamento.
Contraindicações
A bula aprovada pela FDA não lista contraindicações absolutas para o pemigatinibe. Isso não significa que a substância possa ser usada por qualquer pessoa. Há advertências importantes, como o risco de dano ao feto, que tornam o uso durante a gestação desaconselhado pelas fontes regulatórias.
Pessoas com hipersensibilidade conhecida à substância ou aos componentes da formulação, doenças oculares, alterações do metabolismo do cálcio e do fósforo, doenças renais ou hepáticas devem informar essas condições ao médico antes de qualquer decisão. A bula europeia pode apresentar redação própria sobre contraindicações.
Advertências e precauções
Toxicidade ocular
- Descolamento do epitélio pigmentar da retina (DEPR): relatado em cerca de 11% dos pacientes nos estudos clínicos, com início mediano em aproximadamente 56 dias. Pode causar visão turva, alterações visuais ou manchas no campo visual.
- A bula recomenda exame oftalmológico completo, incluindo OCT, antes do início, a cada dois meses nos primeiros seis meses e, depois, a cada três meses, além de avaliação urgente diante de sintomas visuais.
- Olho seco: relatado em cerca de 31% dos pacientes, podendo exigir lubrificantes oculares conforme orientação profissional.
Hiperfosfatemia e mineralização de tecidos moles
- O aumento do fosfato no sangue foi observado na grande maioria dos pacientes estudados, com início mediano em cerca de 8 dias.
- A hiperfosfatemia pode levar à mineralização de tecidos moles, calcificação cutânea, calcinose e calcifilaxia não urêmica.
- A bula descreve monitoramento do fosfato, dieta com baixo teor de fosfato a partir de determinados níveis e, quando necessário, terapia redutora de fosfato, interrupção ou redução da dose.
Toxicidade embriofetal
- Estudos em animais mostraram malformações, retardo de crescimento e morte embriofetal em exposições inferiores às observadas com a dose clínica.
- A bula orienta contracepção eficaz para mulheres com potencial reprodutivo e para homens com parceiras com potencial reprodutivo durante o tratamento e por 1 semana após a última dose.
Outros cuidados
- Alterações em unhas, pele, cabelo e mucosa oral são frequentes e devem ser comunicadas à equipe de saúde.
- Exames laboratoriais podem mostrar alterações em enzimas hepáticas, creatinina, sódio e hemoglobina, o que justifica o acompanhamento periódico.
Possíveis reações adversas
As reações abaixo foram descritas nos estudos clínicos que fundamentaram a aprovação (FIGHT-202, em colangiocarcinoma, e FIGHT-203, em neoplasias mieloides/linfoides). A frequência e a intensidade podem variar entre as pessoas.
Reações mais frequentemente relatadas
- hiperfosfatemia (aumento do fosfato no sangue);
- alopecia (queda de cabelo);
- diarreia, náusea e constipação;
- toxicidade ungueal (alterações nas unhas);
- fadiga;
- disgeusia (alteração do paladar);
- estomatite (inflamação na boca);
- olho seco e boca seca;
- erupção cutânea, pele seca e dor nas articulações;
- dormência ou formigamento nas palmas das mãos e plantas dos pés, conforme informações da EMA.
Alterações laboratoriais frequentes
- aumento de fosfato, creatinina, ALT e AST;
- diminuição de hemoglobina e de sódio no sangue.
Reações graves e sinais de alerta
Nos estudos clínicos, reações adversas graves foram relatadas em parte significativa dos pacientes, e eventos fatais também foram registrados. Procure atendimento médico imediatamente diante de:
- visão turva, perda visual, flashes de luz ou manchas no campo de visão;
- dor intensa, nódulos endurecidos ou feridas na pele que possam indicar calcificação;
- diarreia intensa ou persistente com sinais de desidratação;
- feridas na boca que impeçam a alimentação ou a ingestão de líquidos;
- redução do volume de urina ou outros sinais de alteração renal;
- qualquer sintoma novo ou intenso durante o tratamento.
Interações com medicamentos, alimentos e suplementos
O pemigatinibe é metabolizado principalmente pela enzima hepática CYP3A4. A bula descreve as seguintes interações:
- Inibidores fortes e moderados da CYP3A (como o itraconazol): aumentam a exposição ao pemigatinibe. A bula recomenda evitar o uso concomitante ou, quando inevitável, reduzir a dose conforme orientação médica.
- Indutores fortes e moderados da CYP3A (como a rifampicina): reduzem de forma importante a exposição e devem ser evitados.
- Inibidores da bomba de prótons (como o esomeprazol) e antagonistas H2: a bula não descreve alteração clinicamente significativa.
Alimentos e bebidas
A bula norte-americana orienta evitar toranja (grapefruit) e produtos derivados durante o tratamento. Os comprimidos podem ser tomados com ou sem alimentos.
Suplementos e fitoterápicos
Fitoterápicos que induzem a CYP3A, como a erva-de-são-joão, podem reduzir a exposição a medicamentos metabolizados por essa via. Informe ao médico ou farmacêutico todos os medicamentos, vitaminas, suplementos e fitoterápicos em uso.
Uso em grupos específicos
Gestantes
Com base em estudos em animais e no mecanismo de ação, o pemigatinibe pode causar dano ao feto. A bula orienta contracepção eficaz durante o tratamento e por 1 semana após a última dose.
Lactantes
Não se sabe se a substância passa para o leite humano. A bula da FDA orienta não amamentar durante o tratamento e por 1 semana após a última dose.
Crianças e adolescentes
A segurança e a eficácia não foram estabelecidas em pacientes pediátricos. Estudos em animais mostraram alterações em ossos e dentes em exposições inferiores às clínicas.
Idosos
Nos estudos clínicos, parte dos participantes tinha 65 anos ou mais, e não foram observadas diferenças gerais de segurança ou eficácia em relação a pacientes mais jovens.
Alterações renais e hepáticas
A bula descreve que não há ajuste para comprometimento renal leve ou moderado, nem para pacientes em diálise, e prevê redução de dose no comprometimento renal grave. Também não há ajuste para comprometimento hepático leve ou moderado, com redução prevista no comprometimento hepático grave.
Armazenamento e conservação
A bula norte-americana informa que os comprimidos devem ser armazenados em temperatura ambiente, entre 20 °C e 25 °C, sendo permitidas variações entre 15 °C e 30 °C. Recomenda-se manter o medicamento na embalagem original e fora do alcance de crianças e animais.
A validade é indicada na embalagem e pode variar conforme o lote e o mercado. O descarte deve seguir as orientações locais para medicamentos antineoplásicos.
Perguntas frequentes sobre o pemigatinibe
O que é pemigatinibe?
É um princípio ativo da classe dos inibidores de quinase que atua sobre os receptores FGFR, utilizado como terapia-alvo em determinados tipos de câncer.
Para que serve o pemigatinibe?
Segundo as fontes regulatórias, é utilizado em adultos com colangiocarcinoma avançado com fusão ou rearranjo do FGFR2 já tratados previamente e, nos Estados Unidos, também em neoplasias mieloides/linfoides recidivadas ou refratárias com rearranjo do FGFR1.
Qual é o nome comercial do pemigatinibe?
O nome comercial é Pemazyre®, da Incyte Corporation. O nome comercial identifica a marca, enquanto pemigatinibe é o nome da substância responsável pela ação farmacológica.
O pemigatinibe é quimioterapia?
É classificado como terapia-alvo, diferente da quimioterapia convencional, pois atua sobre receptores específicos presentes em tumores com determinadas alterações genéticas.
É necessário fazer exame genético antes do uso?
Sim. As indicações aprovadas dependem da confirmação da fusão ou rearranjo do FGFR2 (no colangiocarcinoma) ou do rearranjo do FGFR1 (nas neoplasias mieloides/linfoides).
O pemigatinibe precisa de receita?
Sim. É um medicamento antineoplásico de uso restrito, que exige prescrição e acompanhamento por médico especialista.
Qual é o preço do pemigatinibe?
O preço pode variar conforme o país, a apresentação, a concentração, o tamanho da embalagem, o estabelecimento e as condições comerciais. Para consultar o valor vigente, verifique farmácias, distribuidores ou canais oficiais autorizados.
O que fazer se esquecer uma dose?
A bula norte-americana informa que, se uma dose for esquecida por 4 horas ou mais, ou se ocorrer vômito após a tomada, não se deve repor a dose, retomando-se o uso no próximo horário programado. Dúvidas devem ser esclarecidas com o médico ou farmacêutico.
O que fazer em caso de uso de quantidade maior que a recomendada?
A bula não traz informações específicas sobre superdosagem. Em caso de ingestão acima da prescrita, procure atendimento médico imediatamente ou contate um centro de informação toxicológica, levando a embalagem.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns do pemigatinibe?
Entre os mais relatados estão aumento do fosfato no sangue, queda de cabelo, diarreia, alterações nas unhas, fadiga, alteração do paladar, náusea, constipação, inflamação na boca, olho seco e boca seca.
O pemigatinibe afeta a visão?
Pode afetar. A bula descreve risco de descolamento do epitélio pigmentar da retina e de olho seco, motivo pelo qual são recomendados exames oftalmológicos periódicos.
Por que o fósforo aumenta durante o tratamento?
A inibição do FGFR interfere na regulação do fosfato pelos rins, o que pode elevar seus níveis no sangue. A bula descreve monitoramento e possíveis ajustes alimentares ou medicamentosos.
Pode ser usado na gravidez ou na amamentação?
As fontes regulatórias indicam risco de dano fetal e orientam não amamentar durante o tratamento e por 1 semana após a última dose.
Pode ser usado por crianças?
A segurança e a eficácia não foram estabelecidas em crianças e adolescentes.
Quais são as diferenças entre as apresentações?
Nos Estados Unidos, existem comprimidos de 4,5 mg, 9 mg e 13,5 mg, todos com o mesmo princípio ativo. A escolha da concentração cabe ao médico.
Quando procurar um médico ou farmacêutico?
Sempre que surgirem alterações visuais, sintomas intensos ou persistentes, sinais de alergia, dúvidas sobre interações ou sobre o esquema de administração, ou antes de iniciar qualquer outro medicamento ou suplemento.
Considerações finais
O pemigatinibe é um inibidor de quinase que atua sobre os receptores FGFR. As fontes regulatórias descrevem seu uso em adultos com colangiocarcinoma avançado com fusão ou rearranjo do FGFR2 previamente tratados e, nos Estados Unidos, em neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo do FGFR1.
O uso envolve cuidados específicos, como monitoramento do fosfato, exames oftalmológicos periódicos, atenção às interações com medicamentos que afetam a CYP3A e medidas contraceptivas. As informações apresentadas são gerais e não substituem a bula. Dúvidas sobre indicação, dose, contraindicações, interações ou reações adversas devem ser esclarecidas com um médico, farmacêutico ou outro profissional habilitado.
Fontes consultadas
- NIH / National Library of Medicine (DailyMed) — PEMAZYRE (pemigatinib) tablet: Prescribing Information
- European Medicines Agency (EMA) — Pemazyre: EPAR
As informações apresentadas possuem caráter exclusivamente educativo e informativo. Este conteúdo não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Consulte sempre um médico ou outro profissional habilitado para obter orientações individualizadas.